Saturday, April 29, 2006
Eu não posso ler sobre as injustiças e coisas erradas desse mundo que nasce uma revolta em mim. Um lado ecologista, um lado naturalista, um lado ambientalista, um lado pacifista, dependendo da ocasião, pois afinal, tudo é revolucionário. Revolucionário quer dizer com vontade de mudança, de derrubar a situação atual para uma nova. Então eu sou qualquer uma dessas coisas.
Há tantas coisas que podem ser feitas pela natureza, pelo mundo. Tantas pessoas já fizeram, por que não eu? Por que não nós? Só porque eu sou pobre, porque sou de Volta Redonda, porque sou filha de duas pessoas muito comuns, não posso ser alguém importante? Quando eu digo alguém importante, é alguém que consegue mover multidões para boas causas, como a proteção da natureza, a luta pelos direitos, pela paz, etc. e não alguém com dinheiro. Dinheiro não me interessa. Quando o mundo estiver livre de guerras, de destruição, de consumismo, o dinheiro não vai fazer falta. O que nos move é o coração. E a maioria não tem um coração de pedra, eu sei. Todo mundo é capaz de se mover se o assunto é o nosso mundo, nossa sobrevivência. Isso porque as necessidades fisiológicas estão na base da pirâmide da psicologia, antes delas, não há nada. E o poder, a riqueza, a necessidade de ter dinheiro, não fazem parte da pirâmide. Tudo tem um fundo emocional. Faz parte da pirâmide transceder, ser cada vez mais humano. E ser humano nesse caso é deixar nossos interesses e passarmos a nos preocupar com os outros.
Não sei o que há comigo, se é só vontade ou intuição, mas eu queria juntar um bocado de gente com os mesmos interesses e fazer um movimento, enfrentar o governo, ou até formar um partido (pena que todos não acreditam que possam haver políticos com boa vontade) em defesa da natureza, dos animais, e de nós mesmos.
Que espécie de bióloga sou eu, que sou contra as experiências de laboratório para descobrirem a cura para doenças humanas, que sinto pena do olhar de um macaquinho transgênico, que não teve culpa de mais uma ambição humana, uma curiosidade (nunca vi ser mais curioso que o homem. Algum outro animal abre outro só para ver como é dentro?)?! Como pode o homem não ter o mínimo de compaixão pelos animais? Mudá-los geneticamente como se fossem brinquedos? São seres vivos, como nós!
Eu acho que todo mundo fica revoltado às vezes, quando vê TV, ou lê uma notícia, sabe de alguma injustiça... Mas logo, quando nos distraímos com coisas mundanas - menos importantes, aliás - nossa vontade de revolução fica inativada. Não podemos deixar isso acontecer. Não é porque se tem um emprego, uma família, um namorado (a), ou é casado (a), que vamos nos acomodar. A gana de revolução não me deixa.
"Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros."
(CHE)
Friday, April 21, 2006
FRIDAY, I'M IN LOVE!
Há dois anos a minha vida está meio parada, mas comparando ao ano passado, este ano está um marasmo.
Ano passado, eu tinha um amor. Eu tinha por quem suspirar todas as sextas-feiras, sentir borboletas no estômago, e nos outros dias da semana, ficava imaginando como seria, se ele me olharia, se falaria comigo... Então eu tinha em quem ficar pensando EIGHT DAYS A WEEK, eu acordava com o sol numa boa intuição e cantarolava na janela: GOOD DAY, SUNSHINE! (e vivia escrevendo isso pelos cantos). E, se o dia foi mesmo bom, eu voltava num caderno e relatava: FRIDAY I'M IN LOVE!
Agora vejo o meu amor tendo escapado pela janela... Ele não pôde amadurecer, não teve esta chance. Nem sequer se concretizou. Eu tenho tanta pena do meu amor (se isso nunca existiu, está existindo agora), pois não foi só desta vez que ele foi massacrado antes de se concretizar: sempre que me apaixonava, descobria que aqueles olhos já tinham olhos para outra garota... E que olhos mais poligâmicos, nunca podiam se voltar só pra mim!
É tão triste ver meu amor ter se transformado em nada... Porque normalmente o amor se transforma em ressentimento, ou lembrança, ou saudade, mas o meu se transformou em nada. O pior é pensar que ele poderia ter crescido, que eu poderia ter enchido de amor aquela pessoa, e recebido de volta também.Só que por conta de uma falsidade, ele foi obrigado a se transformar em nada. Agora passo por ele e não sinto nada, absolutamente nada. Cadê as borboletas? cadê as nuvens por onde eu flutuava? Cadê os sinos, as trombetas tocando no céu? os anjos sussurrando no meu ouvido: é ele, é ele... Por onde andam minhas declarações mais apaixonadas (feitas ao meu diário), minhas músicas mais belas? Que idiotice!
Aí, de repente, estava eu numa destas sextas-feiras, agora vazias, quando ouço vir de algum lugar a música que compunha minhas sextas-feiras felizes: FRIDAY I'M IN LOVE. Pensei que fosse só coisa da minha cabeça, já que sou maníaca mesmo, que tenho predisposição a ouvir tudo, mas que está só na minha cabeça. Mas a música continuou. Pude ouvir claramente as notas, as guitarras, mas continuei achando que era apenas da minha cabeça, afinal, sempre ouço mesmo sendo só meu inconsciente. Só que desta vez não era mesmo. E pareceu uma mensagem pra mim, um toque apaixonado na minha sexta-feira vazia. Talvez hoje ele estivesse lá, falaria aquilo que eu queria tanto ouvir, e meu amor não precisaria muito para voltar a brilhar (e não precisaria mesmo, pois ele apenas adormece, esperando a chance de se revelar outra vez).
A música cobriu meu vazio, deu cor ao meu dia, quase voltou a ser um GOOD DAY, SUNSHINE, mas meu amor se foi outra vez. Mas sei que ele só espera por outros olhos, por outra possibilidade de se dividir como célula em mitose, se regenerar outra vez da última ferida e se preparar para a próxima, mas quem sabe, desta vez, ele não passe mais tempo em estado puro de plena saúde e vitalidade?
Ano passado, eu tinha um amor. Eu tinha por quem suspirar todas as sextas-feiras, sentir borboletas no estômago, e nos outros dias da semana, ficava imaginando como seria, se ele me olharia, se falaria comigo... Então eu tinha em quem ficar pensando EIGHT DAYS A WEEK, eu acordava com o sol numa boa intuição e cantarolava na janela: GOOD DAY, SUNSHINE! (e vivia escrevendo isso pelos cantos). E, se o dia foi mesmo bom, eu voltava num caderno e relatava: FRIDAY I'M IN LOVE!
Agora vejo o meu amor tendo escapado pela janela... Ele não pôde amadurecer, não teve esta chance. Nem sequer se concretizou. Eu tenho tanta pena do meu amor (se isso nunca existiu, está existindo agora), pois não foi só desta vez que ele foi massacrado antes de se concretizar: sempre que me apaixonava, descobria que aqueles olhos já tinham olhos para outra garota... E que olhos mais poligâmicos, nunca podiam se voltar só pra mim!
É tão triste ver meu amor ter se transformado em nada... Porque normalmente o amor se transforma em ressentimento, ou lembrança, ou saudade, mas o meu se transformou em nada. O pior é pensar que ele poderia ter crescido, que eu poderia ter enchido de amor aquela pessoa, e recebido de volta também.Só que por conta de uma falsidade, ele foi obrigado a se transformar em nada. Agora passo por ele e não sinto nada, absolutamente nada. Cadê as borboletas? cadê as nuvens por onde eu flutuava? Cadê os sinos, as trombetas tocando no céu? os anjos sussurrando no meu ouvido: é ele, é ele... Por onde andam minhas declarações mais apaixonadas (feitas ao meu diário), minhas músicas mais belas? Que idiotice!
Aí, de repente, estava eu numa destas sextas-feiras, agora vazias, quando ouço vir de algum lugar a música que compunha minhas sextas-feiras felizes: FRIDAY I'M IN LOVE. Pensei que fosse só coisa da minha cabeça, já que sou maníaca mesmo, que tenho predisposição a ouvir tudo, mas que está só na minha cabeça. Mas a música continuou. Pude ouvir claramente as notas, as guitarras, mas continuei achando que era apenas da minha cabeça, afinal, sempre ouço mesmo sendo só meu inconsciente. Só que desta vez não era mesmo. E pareceu uma mensagem pra mim, um toque apaixonado na minha sexta-feira vazia. Talvez hoje ele estivesse lá, falaria aquilo que eu queria tanto ouvir, e meu amor não precisaria muito para voltar a brilhar (e não precisaria mesmo, pois ele apenas adormece, esperando a chance de se revelar outra vez).
A música cobriu meu vazio, deu cor ao meu dia, quase voltou a ser um GOOD DAY, SUNSHINE, mas meu amor se foi outra vez. Mas sei que ele só espera por outros olhos, por outra possibilidade de se dividir como célula em mitose, se regenerar outra vez da última ferida e se preparar para a próxima, mas quem sabe, desta vez, ele não passe mais tempo em estado puro de plena saúde e vitalidade?
Sunday, April 09, 2006
Perdida no tempo
Me sinto só. Desta vez, não é por falta de amor, é por indignação à época em que vivo. Sinto um vazio diante dela, um frio no meio desse aquecimento global. Eu sinto falta daquelas multidões, dos muros pichados, os livros contra os fuzis, os caras-pintadas nas ruas. Decididamente, eu nasci na época errada. Por dois grandes motivos: pela música, que naquela época era a melhor; e pelos movimentos estudantis e protestos, que agora não existem mais. Por que eu não poderia ter estado lá em 66? Eu ouviria Beatles, mas estaria ligada na política. Iria às ruas, protestaria, mas também curtiria a vida como hippie. Era um tal de LSD que talvez até eu experimentaria, pois ontem mesmo li algo do John Lennon dizendo "que queriam nos tirar a liberdade com o LSD, mas acabaram nos libertando". Aí hoje eu vejo uma reportagem no jornal dizendo que o LSD vai ser usado nos tratamentos psicológicos, pois provoca alucinações, revela coisas do inconsciente. O inconsciente é uma coisa que me fascina. Às vezes acredito mais nele do que na alma. A alma parece mais óbvia, uma explicação melhor, mas o inconsciente é mais concreto, é mais possível. Eu sou mais científica que espiritual, embora às vezes me vejo acreditando em destino, me perguntando se as coisas estão acontecendo como tinham que acontecer.
Voltando à década de 60, eu queria estar lá, experimentar essas novidades todas, essa sensação de estar viva no meio de um movimento, abrir a cabeça para todos os desejos humanos, ao invés de aceitar tudo que a sociedade impõe. Quem sabe sexo, drogas e rock'n'roll? Só para me sentir livre, só para protestar contra eles, fazer o que eu quero e ir contra o que eles dizem que é certo. Ser rebelde, enfim.
De tanto que os anos 60 fizeram diferença no mundo, eu sinto alguma coisa em mim dizer que talvez eles voltem, através de uma máquina do tempo, ou mesmo aquilo se repita nesta época em que vivo. Talvez meu desejo queira mais que a intuição, mas se eu voltasse ou eles voltassem, eu estaria lá, fazendo tudo que eu acho certo, tudo que eu sinto falta nestes anos não-utópicos de hoje.
Voltando à década de 60, eu queria estar lá, experimentar essas novidades todas, essa sensação de estar viva no meio de um movimento, abrir a cabeça para todos os desejos humanos, ao invés de aceitar tudo que a sociedade impõe. Quem sabe sexo, drogas e rock'n'roll? Só para me sentir livre, só para protestar contra eles, fazer o que eu quero e ir contra o que eles dizem que é certo. Ser rebelde, enfim.
De tanto que os anos 60 fizeram diferença no mundo, eu sinto alguma coisa em mim dizer que talvez eles voltem, através de uma máquina do tempo, ou mesmo aquilo se repita nesta época em que vivo. Talvez meu desejo queira mais que a intuição, mas se eu voltasse ou eles voltassem, eu estaria lá, fazendo tudo que eu acho certo, tudo que eu sinto falta nestes anos não-utópicos de hoje.
Sunday, April 02, 2006
A terra é de todos
Que irritação que eu tenho de ouvir falar em "áreas privadas". Que negócio é esse? A terra é de quem?
Está certo que o instinto territorialista é próprio de alguns animais inclusive o homem, mas na nossa condição de sermos todos filhos de Deus, não podemos pegar um pedaço de terra e dizer que é nosso. Eu sempre me indaguei a respeito disso, até que uma vez eu li num livro de História uma frase mais ou menos assim: "A culpa não é de quem dividiu a terra, a culpa é de quem estava lá e não proibiu isso, aceitou.". Afinal, a terra é de todos, a natureza é de todos!
Agora ouço dizer que praias da Ilha Grande estão sendo privatizadas. Que direito eles têm de chegar lá e tomar conta daquele pedaço de areia, daquele pedaço de mar, daquele céu, daquela mata? A água e a terra é de todos e eu me banho onde eu quiser. E onde estamos nós, que não vamos lá reclamar por isso? EI, ONDE ESTAMOS NÓS QUE NÃO VAMOS DAR UM PONTO FINAL NISSO?!!!?
Outra coisa que me irrita é ver as praias sendo tomadas pelos quiósques. A gente vai pra praia para se aliviar do barulho e da bagunça, e ao chegar lá, se sente como se estivesse no centro de uma cidade, no meio do comércio! Até nas praias as pessoas vão para consumir. E ao invés de irem para escutar o barulho das ondas, colocam uma música tão alta que nos colocam de volta ao estresse da cidade (e, para completar, é funk ou baixarias derivadas). Ao invés de cheiro de maresia, é de comida, lixo, porcarias que depois entopem a areia e ninguém tem coragem de carregar seu próprio lixo para a lata de lixo.
Marx e Engels estavam certos com suas teorias comunistas de tirar as propriedades de todos, pois "a existência da burguesia é incompatível com a da sociedade".
Só mais uma coisa: nós, proletariados, temos que acabar com isso, pois, citando só mais uma vez os grandes filósofos, "de todas as classes que ora enfrentam a burguesia, só o proletariado é uma classe verdadeiramente revolucionária. As outras classes degeneram e perecem com o desenvolvimento da grande indústria; o proletariado, pelo contrário, é seu produto mais autêntico".
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