Revoltas Diárias

Não importa se só tocam o primeiro acorde da canção A gente escreve o resto sem muita pressa, com muita precisão. Nos interessa o que não foi impresso e continua sendo escrito à mão Não interessa o que o bom senso diz Não interessa o que diz o rei Se no jogo não há juiz, não há jogada fora da lei Não interessa o que diz o ditado Não interessa o que o Estado diz Nós falamos outra língua, moramos em outro país.

Sunday, April 09, 2006

Perdida no tempo

Me sinto só. Desta vez, não é por falta de amor, é por indignação à época em que vivo. Sinto um vazio diante dela, um frio no meio desse aquecimento global. Eu sinto falta daquelas multidões, dos muros pichados, os livros contra os fuzis, os caras-pintadas nas ruas. Decididamente, eu nasci na época errada. Por dois grandes motivos: pela música, que naquela época era a melhor; e pelos movimentos estudantis e protestos, que agora não existem mais. Por que eu não poderia ter estado lá em 66? Eu ouviria Beatles, mas estaria ligada na política. Iria às ruas, protestaria, mas também curtiria a vida como hippie. Era um tal de LSD que talvez até eu experimentaria, pois ontem mesmo li algo do John Lennon dizendo "que queriam nos tirar a liberdade com o LSD, mas acabaram nos libertando". Aí hoje eu vejo uma reportagem no jornal dizendo que o LSD vai ser usado nos tratamentos psicológicos, pois provoca alucinações, revela coisas do inconsciente. O inconsciente é uma coisa que me fascina. Às vezes acredito mais nele do que na alma. A alma parece mais óbvia, uma explicação melhor, mas o inconsciente é mais concreto, é mais possível. Eu sou mais científica que espiritual, embora às vezes me vejo acreditando em destino, me perguntando se as coisas estão acontecendo como tinham que acontecer.
Voltando à década de 60, eu queria estar lá, experimentar essas novidades todas, essa sensação de estar viva no meio de um movimento, abrir a cabeça para todos os desejos humanos, ao invés de aceitar tudo que a sociedade impõe. Quem sabe sexo, drogas e rock'n'roll? Só para me sentir livre, só para protestar contra eles, fazer o que eu quero e ir contra o que eles dizem que é certo. Ser rebelde, enfim.
De tanto que os anos 60 fizeram diferença no mundo, eu sinto alguma coisa em mim dizer que talvez eles voltem, através de uma máquina do tempo, ou mesmo aquilo se repita nesta época em que vivo. Talvez meu desejo queira mais que a intuição, mas se eu voltasse ou eles voltassem, eu estaria lá, fazendo tudo que eu acho certo, tudo que eu sinto falta nestes anos não-utópicos de hoje.

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