Revoltas Diárias

Não importa se só tocam o primeiro acorde da canção A gente escreve o resto sem muita pressa, com muita precisão. Nos interessa o que não foi impresso e continua sendo escrito à mão Não interessa o que o bom senso diz Não interessa o que diz o rei Se no jogo não há juiz, não há jogada fora da lei Não interessa o que diz o ditado Não interessa o que o Estado diz Nós falamos outra língua, moramos em outro país.

Monday, July 21, 2008

O peso do mundo está em meus ombros

Eu carrego a dor dos seres aquáticos quando suas águas são poluídas.
Eu carrego a dor do animal canceroso por experiências laboratoriais.
Eu sinto a tristeza daqueles que vêem seus filhotes serem mortos pelas armas de fogo.
Eu vejo as lágrimas daqueles que são capturados para serem vendidos.
Eu ouço o pedido de socorro por toda a floresta.

Já conheço o canto triste daqueles que não podem voar.
Já conheço a solidão que ronda as jaulas daqueles que não podem mais correr.
Conheço bem a dor daqueles que perderam o que sabiam fazer de melhor: correr, brincar, caçar... Respeitar sua própria casa. Porque os animais respeitam sua própria casa, os homens, não.

Eu sinto o desespero daqueles que vêem os da frente serem abatidos assim, sem nem saberem o por quê...
Eu sinto o vazio daqueles que perderam o espaço, a saúde, a vida...
Eu sinto a falta daquele que sente a falta da sua moradia, seu belo campo verde...

Eu ouço o eco. A voz ecoa dentro de mim, e é um eco de dor. Eu sinto a dor, mas a minha dor ainda não é tão grande. A dor desses que sofrem por causa dos que são da minha própria espécie é maior.


(Indo para o Rio e vendo a lagoa poluída...)

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