Revoltas Diárias

Não importa se só tocam o primeiro acorde da canção A gente escreve o resto sem muita pressa, com muita precisão. Nos interessa o que não foi impresso e continua sendo escrito à mão Não interessa o que o bom senso diz Não interessa o que diz o rei Se no jogo não há juiz, não há jogada fora da lei Não interessa o que diz o ditado Não interessa o que o Estado diz Nós falamos outra língua, moramos em outro país.

Tuesday, October 31, 2006

Minha casa amarela

Na minha casa amarela
Cresciam plantas, morriam flores,
Passavam-se os dias.
Da minha casa amarela
Ouvia-se uma canção ao longe ecoar
Que não se conseguia identificar.
Na minha casa amarela
Cantavam pássaros notas ao ar
E para longe iam-se.

Vivia bem a solidão
Na minha casa amarela,
Achava-se ela.
Vivia bem de escuridão
Burrifando numa aquarela,
Permanecia ela.
Sem saber que um dia
Alguém apareceria
Tornando claro para ela
O quanto era só.

O quanto era só aquela janela,
Aquelas flores e aquelas plantas,
Aquelas notas que cantavam os pássaros,
Aquelas cores da aquarela.

E descobriu-se que também era só
Aquela canção que se ouvia ao longe,
Mas que era para ela,
Para somente ela.

Monday, October 23, 2006

Microcosmos

Não tens medo da flor se abrindo,
Das pétalas murchando dia após dia?
Não tens medo do casulo se abrindo,
Da borboleta saindo e mudando suas cores?
Não tens medo da gota de orvalho
Na folha caindo, por ela sendo bebida?
Não tens medo dos galhos crescendo,
Se comunicando com os ramos?
Não tens medo da chuva caindo,
Molhando a terra, servindo de abrigo?
Não tens medo do mel das abelhas,
Das suas colméias tornando-se perfeitas?
Não tens medo da aranha tecendo,
Do som dos insetos,
Das asas do morcego,
Da cópula das lesmas,
Do silêncio das folhas,
Das cores das flores,
Da grama aos seus pés,
Das formigas marchando,
Do vento soprando?
Se não tens medo, é porque não acreditas
Que tudo está vivo ao seu redor
E quer viver.



Texto escrito em 15 de agosto deste ano, enquanto eu via um dvd sobre animais e natureza e isso me causou um certo medo em saber quão perfeito e minucioso é o mundo da natureza!

Monday, October 16, 2006

Procurando a garota ruiva

Ele estava à procura de sua Pattie Boyd. Já que o pseudônimo que gostava de usar era George Harrison, ele queria alguém como a Pattie Boyd, para lhe fazer feliz, para lhe tirar da escuridão, para lhe fazer cantar "Something in the way she moves..." Mas havia um porém: ela não poderia querer, no final, lhe trocar pelo seu melhor amigo, o Eric Clapton. Ambos eram muito parecidos, mas não para dividirem a mesma garota!
Até que, quando menos esperava, ela apareceu. De cara, percebeu que ela era sua Pattie. Jogou todas as suas esperanças nela, sem saber no que poderia dar. Mas eram muito diferentes. Ele, muito franco no seu modo de dizer, e ela sempre brincando com suas palavras. Não entendeu quando ele perguntou: "Quer ser minha Pattie Boyd?" Ela não soube o que dizer... Nem sabia quem era a tal, muito menos se queria entrar na onda de alguém que tinha opiniões tão diferentes para debater. Estava crente de sua fé, por isso não queria arriscar. preferiu a pena ao amor, preferiu pensar em outro que em si mesma. Se isso é o mais certo, quem pode dizer? O ser humano tem mania de pensar sempre em si mesmo, e ela querendo dar uma de boazinha. Preferiu amar o George Harrison em braile, pra ninguém entender. Mas ele entendeu, tanto que leu seus pensamentos, mas ela não deixou aquele amor continuar. Acabou com ele antes mesmo de começar.
E ele ficou triste, como era de se esperar, não dormiu por dias, não quis trabalhar, não quis falar com ninguém , mas o que podia fazer? Já tinha entregado a ela seus desenhos de presente e o que é mais difícil de se entregar, o seu coração. Resolveu ser ainda mais duro do que já era, para que talvez ela se arrependesse do que fez. As coisas só pioraram, foi cada um para um canto... Ela não quis ser sua Pattie Boyd e ele continua por aí, querendo encontrar quem queira ser sua "garota ruiva", ou sua Olivia, que aí então... Poderá ser para sempre.

Monday, October 02, 2006

Peço o seu voto!

Alguém ouviu alguma coisa diferente nesta eleição? Cada peça que apareceu no programa político que não dá para acreditar! Meteram até Deus no meio, meteram ovos na cara, meteram o dedo no nosso nariz ditando os números nos quais devíamos votar, dizendo que têm algum compromisso com a gente, dizendo que em Brasília iriam fazer mais por nós. Usaram de piadas, Che Guevara, experiência e até de pressão emocional para nos manipular psicologicamente. E parece que conseguiram.
Mais uma vez, as pessoas foram pelo que já conheciam, não quiseram inovar, preferiram deixar tudo como está, porque se contentam, porque são manipuláveis. Se contentam com o pouco que lhes dão, e por desesperança de o país mudar, votam naquelas figurinhas repetidas. É claro que o país não vai mudar! É claro que o nosso voto não têm esse poder todo (diferente do que dizem). Mas se é algo que temos, vamos votar nulo (já que não têm ninguém capaz de mudar o país) ou votar naqueles que não são cópias dos que lá já estiveram (que tal aquelas cabeças que aparecem e nem sequer têm a chance de dizer o próprio nome e número?!). É claro que a experiência conta e muito, mas alguém aí já viu um candidato que tenha feito muitos projetos que deram certo? Cuidado com as carinhas bonitas e bem arrumadas que te manipulam, que te enganam com sorrisos, que andam descalços para fingir que anda junto com o povo...
Parece que foi ontem que eu era uma criança que acreditava na estrelinha do PT e cantava a musiquinha: "Lula lá, meu primeiro voto, Lula lá, nasce uma esperança..." Acho que era coisa da minha família, de muitas famílias pobres do Brasil, só atrás um pouco dos mais ricos; veio dos meus tios, da minha avó, então eu achava que todos os candidatos bons tinham que seer do PT! Ah, é do PT? Então pode confiar! Foi tão bom quando o Lula ganhou em 2002, foi como um sonho do povão se realizando, como se a voz do povo fosse finalmente ouvida. Meu vô ficou louco para que isso acontecesse e eu me lembrei da bandeira vermelha que eles carregavam depositando toda confiança no barbudo que os representaria. Mas não foi como deveria ter sido em 89, 94. Naquela época era hora de ele ganhar, mas o povo novamente foi manipulado por carinhas que falam bem... Ele ganhou tarde demais, quando já tinha perdido a gana de mudar alguma coisa, a alma revolucionária por ser trabalhador e ter sido pobre. De qualquer jeito, foi uma boa sensação a sua vitória, como eu disse, era como um sonho. Só que o sonho acabou. Agora ele se transformou em mais um, em mais um em que as pessoas votam porque têm medo de mudança.