Revoltas Diárias

Não importa se só tocam o primeiro acorde da canção A gente escreve o resto sem muita pressa, com muita precisão. Nos interessa o que não foi impresso e continua sendo escrito à mão Não interessa o que o bom senso diz Não interessa o que diz o rei Se no jogo não há juiz, não há jogada fora da lei Não interessa o que diz o ditado Não interessa o que o Estado diz Nós falamos outra língua, moramos em outro país.

Tuesday, October 31, 2006

Minha casa amarela

Na minha casa amarela
Cresciam plantas, morriam flores,
Passavam-se os dias.
Da minha casa amarela
Ouvia-se uma canção ao longe ecoar
Que não se conseguia identificar.
Na minha casa amarela
Cantavam pássaros notas ao ar
E para longe iam-se.

Vivia bem a solidão
Na minha casa amarela,
Achava-se ela.
Vivia bem de escuridão
Burrifando numa aquarela,
Permanecia ela.
Sem saber que um dia
Alguém apareceria
Tornando claro para ela
O quanto era só.

O quanto era só aquela janela,
Aquelas flores e aquelas plantas,
Aquelas notas que cantavam os pássaros,
Aquelas cores da aquarela.

E descobriu-se que também era só
Aquela canção que se ouvia ao longe,
Mas que era para ela,
Para somente ela.

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