Revoltas Diárias

Não importa se só tocam o primeiro acorde da canção A gente escreve o resto sem muita pressa, com muita precisão. Nos interessa o que não foi impresso e continua sendo escrito à mão Não interessa o que o bom senso diz Não interessa o que diz o rei Se no jogo não há juiz, não há jogada fora da lei Não interessa o que diz o ditado Não interessa o que o Estado diz Nós falamos outra língua, moramos em outro país.

Monday, January 28, 2008

Sobre as queimadas (que prejudicam toda a natureza, mas ainda não resolveram parar, porque os canaviais dão muito lucro...)

Que lei é essa
Que protege as grandes indústrias,
o descontrole da grande ganância
que acerca o homem afim do desenvolvimento,
E não protege os pequenos seres,
os Grandes seres que às custas de ninguém vive,
a não ser para a sua própria sobrevivência,
sobrevivência essencial à natureza,
ao seu ciclo natural,
que não pertence a nós, homens.

Que lei é essa
Que protege os canaviais
Só para interesse próprio,
Mas não protege a terra,
que sofre com o fogo,
que perde toda sua fertilidade,
essência natural da terra,
e aquece a temperaturas insuportáveis à vida,
à vida dessas pequenas criaturas
caídas na armadilha humana.

Que lei é essa
Que não protege pequenas famílias
que se abrigam no falso abrigo do homem,
para devorá-las, sem piedade nenhuma,
por se achar superior a todos os que são menores que ele,
que lhe dão a carne, a pele, a vida,
às vezes, a custa de nada...
Apenas para servir ao Grande homem.
Apenas para servir à lei - não da natureza, que é mãe sábia -
mas a dos homens.

Monday, January 21, 2008

Virá, que eu vi!

Esta música a seguir é muito tocante pra mim e representa o que um dia irá acontecer. Não necessariamente na forma de um índio, mas eu acredito que um dia todos estarão cientes do seu dever de cuidar da Terra. Caetano Veloso escreveu de forma muito inteligente o que poder vir a mostrar às pessoas que a tecnologia não é o que deve dominar, aliás, nem deveria existir. O que devemos preservar são os povos, respeitá-los; a natureza, os animais; tudo aquilo que a gente não julga importante para o desenvolvimento. Mas na verdade é isso que ajuda no desenvolvimento. Só que no desenvolvimento de cada um, e não de um país, de uma cidade.


Um índio
(Caetano Veloso)

Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante

Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá

Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico

Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito

Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio

Tuesday, January 15, 2008

I'm back!

Depois de muito tempo relutando em não fazer outro mail para ter que atualizar meu próprio blog, estou de volta, porque não agüentaria ficar sem escrever qualquer coisa em qualquer lugar. E desta vez com uma música dos Beach Boys na cabeça, 'Till I die, a melhor do disco Surf's Up, cuja letra deixo aqui:


Até eu morrer

Eu sou uma rolha no oceano
Flutuando sobre o mar raivoso
Quão profundo é o oceano?
Eu perdi meu caminho

Eu sou uma pedra no desabamento
Rolando pela montanha
Quão profundo é o vale?
Isso mata minha alma

Eu sou uma folha num dia de vento
Logo em breve serei soprada
Quanto ainda o vento vai soprar

Até eu morrer?