Monday, January 31, 2011
Há muitos lemingues por aí,
Atirando-se no mar,
Buscando fuga para suas loucuras.
Não se sabe por quê,
Mas no mar se atiram através de um impulso irresistível.
Migram das montanhas,
Passam pelas casas, construções humanas,
Afundam canoas, sobem escadarias das universidades
E destroem o que quer que atravesse seu caminho.
Não há retorno, não há suicídio.
Apenas obedecem ao impulso da loucura.
Não há mal em ser um deles,
Não há por quê não sê-lo.
Só não aceito ser eternamente
Escrava de mim mesma.
Após ler "Ecologia - A busca da nossa sobrevivência", cap.VIII
Monday, September 28, 2009
Castração de animais
Uma coisa a qual eu não concordo nem vou concordar é a castração de animais. As pessoas logo vão dizer: "Besteira, isso é ignorância, o que se pode fazer para controlar a reprodução? Vai deixá-los cruzar sempre e fazer o quê com os filhotes?" Pois isso não é um direito nosso de escolher. A natureza é que escolhe. E a natureza escolheu que os seres vivos têm que se reproduzir e originar outros. Se os seres humanos podem fazer isso à vontade, inclusive permitir uma absurda densidade demográfica, por que os animais não podem?
Muitos vão dizer; "Os animais trazem doenças, são irracionais, nós quem os adotamos." Então, se escolhemos domesticá-los, não podemos lhes tirar uma função vital. Um animal que vai inocentemente ao veterinário para ser castrado é uma animal traído por seu dono. Quando acorda, sem saber, sem ter tido o direito de escolher, teve suas partes mutiladas. Sim, "mutiladas" é a palavra. Porque o órgão estava ali, perfeito, sem nenhum defeito de fábrica, como são feitas as criaturas na natureza, por seleção natural. Os que vêm com defeitos, por um azar de combinação, já são naturalmente mortos após nascer ou mesmo no ventre, resultando em aborto. Não é como na humanidade, que se faz nascer todo e qualquer ser humano, mesmo que este não esteja preparado para sobreviver. Ah, já sei, é que, para com os seres humanos, a sobrevivência não é dura. Os seres humanos têm tudo. Não é como para os seres da natureza, que lutam todo dia para sobreviver.
Todos vão falar: "Mas o animal está feliz depois de castrado. Ele não sente nada." É claro que não sente. Dele foi tirado o seu instinto, aquilo que lhe é natural. E se é natural, não devemos nos intrometer. Ou não deveríamos. Mas nós podemos tudo.
Aí vem a grande "vantagem" defendida pelos que castram animais: "Eles estarão imunes a doenças como câncer." É óbvio que estarão imunes. Como se pode ter um câncer em um órgão se este não estiver mais lá? Acontece a seleção natural de novo. A natureza é cruel, mas é a lei maior. Se um animal têm que morrer por câncer, ele vai morrer. Ou nós, para nos prevenirmos, retiramos nossos órgãos não-vitais, mesmo antes de sabermos se podemos desenvolver um câncer?! Acontece que o útero e os testículos é que são os órgãos vitais. Eles que dão origem à descendência. E não há coisa mais importante e vital na natureza do que a condição que um ser vivo tem de poder dar origem a outros. Essa é a grande beleza e necessidade da natureza. A qualidade da vida está aí. Sem ela, não existe vida, não existe continuação.
Todos pensam que estou indo longe demais, mas não estou. O que ninguém vê e nem quer ver é que tudo isso são desculpas para atender as necessidades humanas - as de controlar a quantidade de animais abandonados, a de ter um animal mais calmo, a de fazer viver mais tempo um um animal que nem mesmo a natureza havia preparado para fazer viver, isto é, porque o homem é que vai sair ganhando com isso, ele é que vai ter seu amigo, sua companhia.
Mas acontece que nem assim alguém concorda comigo. Ninguém ainda concorda comigo.
Muitos vão dizer; "Os animais trazem doenças, são irracionais, nós quem os adotamos." Então, se escolhemos domesticá-los, não podemos lhes tirar uma função vital. Um animal que vai inocentemente ao veterinário para ser castrado é uma animal traído por seu dono. Quando acorda, sem saber, sem ter tido o direito de escolher, teve suas partes mutiladas. Sim, "mutiladas" é a palavra. Porque o órgão estava ali, perfeito, sem nenhum defeito de fábrica, como são feitas as criaturas na natureza, por seleção natural. Os que vêm com defeitos, por um azar de combinação, já são naturalmente mortos após nascer ou mesmo no ventre, resultando em aborto. Não é como na humanidade, que se faz nascer todo e qualquer ser humano, mesmo que este não esteja preparado para sobreviver. Ah, já sei, é que, para com os seres humanos, a sobrevivência não é dura. Os seres humanos têm tudo. Não é como para os seres da natureza, que lutam todo dia para sobreviver.
Todos vão falar: "Mas o animal está feliz depois de castrado. Ele não sente nada." É claro que não sente. Dele foi tirado o seu instinto, aquilo que lhe é natural. E se é natural, não devemos nos intrometer. Ou não deveríamos. Mas nós podemos tudo.
Aí vem a grande "vantagem" defendida pelos que castram animais: "Eles estarão imunes a doenças como câncer." É óbvio que estarão imunes. Como se pode ter um câncer em um órgão se este não estiver mais lá? Acontece a seleção natural de novo. A natureza é cruel, mas é a lei maior. Se um animal têm que morrer por câncer, ele vai morrer. Ou nós, para nos prevenirmos, retiramos nossos órgãos não-vitais, mesmo antes de sabermos se podemos desenvolver um câncer?! Acontece que o útero e os testículos é que são os órgãos vitais. Eles que dão origem à descendência. E não há coisa mais importante e vital na natureza do que a condição que um ser vivo tem de poder dar origem a outros. Essa é a grande beleza e necessidade da natureza. A qualidade da vida está aí. Sem ela, não existe vida, não existe continuação.
Todos pensam que estou indo longe demais, mas não estou. O que ninguém vê e nem quer ver é que tudo isso são desculpas para atender as necessidades humanas - as de controlar a quantidade de animais abandonados, a de ter um animal mais calmo, a de fazer viver mais tempo um um animal que nem mesmo a natureza havia preparado para fazer viver, isto é, porque o homem é que vai sair ganhando com isso, ele é que vai ter seu amigo, sua companhia.
Mas acontece que nem assim alguém concorda comigo. Ninguém ainda concorda comigo.
Friday, July 31, 2009
História de Biólogo I
Assim como um salmão, eu vou
Em busca da minha terra natal
Vou guiada pelo sol,
Pelo cheiro das águas.
Não vou deixar que me impeçam
De me encontrar.
Porque aqui eu sou apenas uma ave migratória
Durante o inverno.
Meu destino pode estar em qualquer lugar
Mas um dia eu haverei de voltar.
E quando eu chegar, procurarei pelas mihas raízes
Devem estar presas a algum campo.
Terei de volta os meus dias mais jovens,
As minhas mais belas cores,
Como um salmão em reprodução.
De tanto viver em plena energia,
Voltarei sem peso nenhum - nas costas.
Estarei de volta ao meu destino, seja onde for.
Me encherei de coisas fúteis,
Como se fossem mesmo me preencher o vazio.
Logo, quando estiver mais velha,
Sentirei o peso dos dias outra vez.
Viajarei com toda voracidade de volta pra casa,
De onde nunca deveria ter saído.
Mas o que fazer, se temos que acabar
Construindo ninhos noutras terras?
Tudo em busca da sobrevivência.
Atravessarei correntes, como um peixe jovem outra vez,
Mas já não estarei tão jovem.
Já não terei tantas cores.
E quando voltar para o mar,
Este peixe já velho e sem forças,
Não poderei mais ser guiada pelo sol.
As águas vão me levar, como bem quiserem.
Meu destino agora é ser despedaçada
Contra uma grande rocha no fundo do mar.
Olhos, carne, pedaços, pra lá e pra cá.
Na volta pra casa, sempre se traz
Mais coisas do que se deve.
É peso demais saber que tudo mudou,
Que não serei mais um salmão colorido e fértil.
Mas morrerei sabendo que minha existência
Serviu para outras existências que estarão por vir.
Somos todos salmões em busca de nossa terra natal.
Em busca da minha terra natal
Vou guiada pelo sol,
Pelo cheiro das águas.
Não vou deixar que me impeçam
De me encontrar.
Porque aqui eu sou apenas uma ave migratória
Durante o inverno.
Meu destino pode estar em qualquer lugar
Mas um dia eu haverei de voltar.
E quando eu chegar, procurarei pelas mihas raízes
Devem estar presas a algum campo.
Terei de volta os meus dias mais jovens,
As minhas mais belas cores,
Como um salmão em reprodução.
De tanto viver em plena energia,
Voltarei sem peso nenhum - nas costas.
Estarei de volta ao meu destino, seja onde for.
Me encherei de coisas fúteis,
Como se fossem mesmo me preencher o vazio.
Logo, quando estiver mais velha,
Sentirei o peso dos dias outra vez.
Viajarei com toda voracidade de volta pra casa,
De onde nunca deveria ter saído.
Mas o que fazer, se temos que acabar
Construindo ninhos noutras terras?
Tudo em busca da sobrevivência.
Atravessarei correntes, como um peixe jovem outra vez,
Mas já não estarei tão jovem.
Já não terei tantas cores.
E quando voltar para o mar,
Este peixe já velho e sem forças,
Não poderei mais ser guiada pelo sol.
As águas vão me levar, como bem quiserem.
Meu destino agora é ser despedaçada
Contra uma grande rocha no fundo do mar.
Olhos, carne, pedaços, pra lá e pra cá.
Na volta pra casa, sempre se traz
Mais coisas do que se deve.
É peso demais saber que tudo mudou,
Que não serei mais um salmão colorido e fértil.
Mas morrerei sabendo que minha existência
Serviu para outras existências que estarão por vir.
Somos todos salmões em busca de nossa terra natal.
Tuesday, July 07, 2009
Garotas chapadas
Não, não são garotas que bebem demais. Estou falando do novo vício das mulheres (nem tão novo, mas que se renova a cada dia): o de alisar os cabelos. É incrível como elas se mascaram nessa onda, e passa de mãe pra filha, de amiga pra amiga... Nenhuma se vê bonita mais se não estiver com o cabelo beeeem boi-lambeu. E ainda não acreditam quando alguma diz que tem o cabelo liso natural. De tão acostumadas, elas acham que todas fazem o mesmo que elas, alisam os cabelos.
Antes era só para uma ocasião formal, uma formatura, um casamento... Agora não. Até para ir para a escola, todos os dias. Antes era só pro fim de semana. Agora, elas não suportam sair de casa se estiverem com os cabelos "sóbrios". E vira um vício. O problema é que elas não sabem que assim elas são figurinhas repetidas. Todas tem franjinha lisinha, todas tem cabelo alisadão. Quanto mais liso, melhor. Mesmo que não combine com seus rostos. Não importa. Sair de cabelo natural é como sair sem roupa. Não pode!
É ridículo saber que as pessoas passam a depender de uma coisa dessas. Não vêem que assim não têm nada de diferente para mostrar? Não vêem que só estão parecendo umas bonecas de cabelo falso? E agora não são só as mulheres adultas. As adolescentes e até as crianças estão entrando nessa. Ou melhor, já entraram. Isso sem falar nos celulares e aparelhos de som. Ah, mas isso é assunto para um próximo post.
Antes era só para uma ocasião formal, uma formatura, um casamento... Agora não. Até para ir para a escola, todos os dias. Antes era só pro fim de semana. Agora, elas não suportam sair de casa se estiverem com os cabelos "sóbrios". E vira um vício. O problema é que elas não sabem que assim elas são figurinhas repetidas. Todas tem franjinha lisinha, todas tem cabelo alisadão. Quanto mais liso, melhor. Mesmo que não combine com seus rostos. Não importa. Sair de cabelo natural é como sair sem roupa. Não pode!
É ridículo saber que as pessoas passam a depender de uma coisa dessas. Não vêem que assim não têm nada de diferente para mostrar? Não vêem que só estão parecendo umas bonecas de cabelo falso? E agora não são só as mulheres adultas. As adolescentes e até as crianças estão entrando nessa. Ou melhor, já entraram. Isso sem falar nos celulares e aparelhos de som. Ah, mas isso é assunto para um próximo post.
Thursday, April 30, 2009
Burrice dizer que não gosta de política - o problema são os políticos.
Mas quem é o partido?
Ele fica sentado
Em uma casa com telefones?
Seus pensamentos
São secretos,
Suas decisões
Desconhecidas?
Quem é ele?
Nós somos ele.
Você, eu, vocês
Nós todos.
Ele veste sua roupa, camarada
E pensa com a sua cabeça
Onde moro é a casa dele,
E quando você é atacado, ele luta.
BRECHT
Ele fica sentado
Em uma casa com telefones?
Seus pensamentos
São secretos,
Suas decisões
Desconhecidas?
Quem é ele?
Nós somos ele.
Você, eu, vocês
Nós todos.
Ele veste sua roupa, camarada
E pensa com a sua cabeça
Onde moro é a casa dele,
E quando você é atacado, ele luta.
BRECHT
Friday, November 07, 2008
Meia-nada
Meia sorte, meia nada, duas partes na mesma estrada
Nunca tendo uma sorte inteira, acho que vou me acostumar com meia.
Sem pares...
Nunca tendo o privilégio de uma vida inteira, vou continuar com meia.
Sem pares...
A dor que só me reparte
A infelicidade busca a outra parte da vida
Se a vida já é infeliz, já basta que encontre uma meia limpa
Vou me arrumar com meias
Trocadas...
As partes misturam a arte
Os pares trocados são partes minhas
Vou construir uma vida
As meias, metades, pedaços, partes da vida que eu tinha
Quero outras faces
Vou continuar com meia
Sem pares...
A dor que só me reparte
A infelicidade busca a outra parte da vida.
(Lúcia Alves L. Ramos)
Gosto desse poema da minha amiga (que virou uma música) porque ela o escreveu sendo muito sincera consigo mesma, mas também combinava muito comigo. Tudo dando errado sempre, mesmo quando a gente achava que poderia enfim dar certo, mas aí, não dava. Ou nem acontecia. Aí, a gente costumava achar que nossa vida é pra viver assim, "sem pares"... Sozinhas. Como muitas pessoas também. Mas como é que essas pessoas nunca apareciam? Ninguém parecia sentir o mesmo. Não tão assim, com tudo dando sempre errado. Eu gosto da parte em que diz que a infelicidade busca outra parte da vida. Ou seja, se estamos infelizes, procuramos um motivo sempre para se sentir feliz, e esse motivo só pode ser o amor. Mas aí, se a vida é infeliz, pelo menos temos vidas "meias", "sem pares", limpas, sem ter feito coisas erradas, etc. Temos que nos contentar com isso. Surgem também os pares trocados, que são "partes minhas", porque às vezes nós é que inventamos de gostar de alguém, não foi por acaso. Queremos tanto nos sentir bem que gostamos da pessoa... errada. Mas nossa vida continua, com essas metades todas, mesmo que nos falte o complemento, aquela coisa que colore os dias, a outra metade... Continuamos com meias, metades, pedaços, partes, tudo é válido.
Bom, mas isso foi há um tempo atrás. Por isso eu digo: sua metade está por aí, tentando encontrá-la também.
Monday, July 21, 2008
O peso do mundo está em meus ombros
Eu carrego a dor dos seres aquáticos quando suas águas são poluídas.
Eu carrego a dor do animal canceroso por experiências laboratoriais.
Eu sinto a tristeza daqueles que vêem seus filhotes serem mortos pelas armas de fogo.
Eu vejo as lágrimas daqueles que são capturados para serem vendidos.
Eu ouço o pedido de socorro por toda a floresta.
Já conheço o canto triste daqueles que não podem voar.
Já conheço a solidão que ronda as jaulas daqueles que não podem mais correr.
Conheço bem a dor daqueles que perderam o que sabiam fazer de melhor: correr, brincar, caçar... Respeitar sua própria casa. Porque os animais respeitam sua própria casa, os homens, não.
Eu sinto o desespero daqueles que vêem os da frente serem abatidos assim, sem nem saberem o por quê...
Eu sinto o vazio daqueles que perderam o espaço, a saúde, a vida...
Eu sinto a falta daquele que sente a falta da sua moradia, seu belo campo verde...
Eu ouço o eco. A voz ecoa dentro de mim, e é um eco de dor. Eu sinto a dor, mas a minha dor ainda não é tão grande. A dor desses que sofrem por causa dos que são da minha própria espécie é maior.
(Indo para o Rio e vendo a lagoa poluída...)
Eu carrego a dor do animal canceroso por experiências laboratoriais.
Eu sinto a tristeza daqueles que vêem seus filhotes serem mortos pelas armas de fogo.
Eu vejo as lágrimas daqueles que são capturados para serem vendidos.
Eu ouço o pedido de socorro por toda a floresta.
Já conheço o canto triste daqueles que não podem voar.
Já conheço a solidão que ronda as jaulas daqueles que não podem mais correr.
Conheço bem a dor daqueles que perderam o que sabiam fazer de melhor: correr, brincar, caçar... Respeitar sua própria casa. Porque os animais respeitam sua própria casa, os homens, não.
Eu sinto o desespero daqueles que vêem os da frente serem abatidos assim, sem nem saberem o por quê...
Eu sinto o vazio daqueles que perderam o espaço, a saúde, a vida...
Eu sinto a falta daquele que sente a falta da sua moradia, seu belo campo verde...
Eu ouço o eco. A voz ecoa dentro de mim, e é um eco de dor. Eu sinto a dor, mas a minha dor ainda não é tão grande. A dor desses que sofrem por causa dos que são da minha própria espécie é maior.
(Indo para o Rio e vendo a lagoa poluída...)
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