Revoltas Diárias

Não importa se só tocam o primeiro acorde da canção A gente escreve o resto sem muita pressa, com muita precisão. Nos interessa o que não foi impresso e continua sendo escrito à mão Não interessa o que o bom senso diz Não interessa o que diz o rei Se no jogo não há juiz, não há jogada fora da lei Não interessa o que diz o ditado Não interessa o que o Estado diz Nós falamos outra língua, moramos em outro país.

Friday, July 31, 2009

História de Biólogo I

Assim como um salmão, eu vou
Em busca da minha terra natal
Vou guiada pelo sol,
Pelo cheiro das águas.
Não vou deixar que me impeçam
De me encontrar.
Porque aqui eu sou apenas uma ave migratória
Durante o inverno.
Meu destino pode estar em qualquer lugar
Mas um dia eu haverei de voltar.
E quando eu chegar, procurarei pelas mihas raízes
Devem estar presas a algum campo.
Terei de volta os meus dias mais jovens,
As minhas mais belas cores,
Como um salmão em reprodução.
De tanto viver em plena energia,
Voltarei sem peso nenhum - nas costas.
Estarei de volta ao meu destino, seja onde for.
Me encherei de coisas fúteis,
Como se fossem mesmo me preencher o vazio.
Logo, quando estiver mais velha,
Sentirei o peso dos dias outra vez.
Viajarei com toda voracidade de volta pra casa,
De onde nunca deveria ter saído.
Mas o que fazer, se temos que acabar
Construindo ninhos noutras terras?
Tudo em busca da sobrevivência.
Atravessarei correntes, como um peixe jovem outra vez,
Mas já não estarei tão jovem.
Já não terei tantas cores.
E quando voltar para o mar,
Este peixe já velho e sem forças,
Não poderei mais ser guiada pelo sol.
As águas vão me levar, como bem quiserem.
Meu destino agora é ser despedaçada
Contra uma grande rocha no fundo do mar.
Olhos, carne, pedaços, pra lá e pra cá.
Na volta pra casa, sempre se traz
Mais coisas do que se deve.
É peso demais saber que tudo mudou,
Que não serei mais um salmão colorido e fértil.
Mas morrerei sabendo que minha existência
Serviu para outras existências que estarão por vir.

Somos todos salmões em busca de nossa terra natal.

Tuesday, July 07, 2009

Garotas chapadas

Não, não são garotas que bebem demais. Estou falando do novo vício das mulheres (nem tão novo, mas que se renova a cada dia): o de alisar os cabelos. É incrível como elas se mascaram nessa onda, e passa de mãe pra filha, de amiga pra amiga... Nenhuma se vê bonita mais se não estiver com o cabelo beeeem boi-lambeu. E ainda não acreditam quando alguma diz que tem o cabelo liso natural. De tão acostumadas, elas acham que todas fazem o mesmo que elas, alisam os cabelos.
Antes era só para uma ocasião formal, uma formatura, um casamento... Agora não. Até para ir para a escola, todos os dias. Antes era só pro fim de semana. Agora, elas não suportam sair de casa se estiverem com os cabelos "sóbrios". E vira um vício. O problema é que elas não sabem que assim elas são figurinhas repetidas. Todas tem franjinha lisinha, todas tem cabelo alisadão. Quanto mais liso, melhor. Mesmo que não combine com seus rostos. Não importa. Sair de cabelo natural é como sair sem roupa. Não pode!
É ridículo saber que as pessoas passam a depender de uma coisa dessas. Não vêem que assim não têm nada de diferente para mostrar? Não vêem que só estão parecendo umas bonecas de cabelo falso? E agora não são só as mulheres adultas. As adolescentes e até as crianças estão entrando nessa. Ou melhor, já entraram. Isso sem falar nos celulares e aparelhos de som. Ah, mas isso é assunto para um próximo post.