Meia-nada
Meia sorte, meia nada, duas partes na mesma estrada
Nunca tendo uma sorte inteira, acho que vou me acostumar com meia.
Sem pares...
Nunca tendo o privilégio de uma vida inteira, vou continuar com meia.
Sem pares...
A dor que só me reparte
A infelicidade busca a outra parte da vida
Se a vida já é infeliz, já basta que encontre uma meia limpa
Vou me arrumar com meias
Trocadas...
As partes misturam a arte
Os pares trocados são partes minhas
Vou construir uma vida
As meias, metades, pedaços, partes da vida que eu tinha
Quero outras faces
Vou continuar com meia
Sem pares...
A dor que só me reparte
A infelicidade busca a outra parte da vida.
(Lúcia Alves L. Ramos)
Gosto desse poema da minha amiga (que virou uma música) porque ela o escreveu sendo muito sincera consigo mesma, mas também combinava muito comigo. Tudo dando errado sempre, mesmo quando a gente achava que poderia enfim dar certo, mas aí, não dava. Ou nem acontecia. Aí, a gente costumava achar que nossa vida é pra viver assim, "sem pares"... Sozinhas. Como muitas pessoas também. Mas como é que essas pessoas nunca apareciam? Ninguém parecia sentir o mesmo. Não tão assim, com tudo dando sempre errado. Eu gosto da parte em que diz que a infelicidade busca outra parte da vida. Ou seja, se estamos infelizes, procuramos um motivo sempre para se sentir feliz, e esse motivo só pode ser o amor. Mas aí, se a vida é infeliz, pelo menos temos vidas "meias", "sem pares", limpas, sem ter feito coisas erradas, etc. Temos que nos contentar com isso. Surgem também os pares trocados, que são "partes minhas", porque às vezes nós é que inventamos de gostar de alguém, não foi por acaso. Queremos tanto nos sentir bem que gostamos da pessoa... errada. Mas nossa vida continua, com essas metades todas, mesmo que nos falte o complemento, aquela coisa que colore os dias, a outra metade... Continuamos com meias, metades, pedaços, partes, tudo é válido.
Bom, mas isso foi há um tempo atrás. Por isso eu digo: sua metade está por aí, tentando encontrá-la também.
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