Revoltas Diárias

Não importa se só tocam o primeiro acorde da canção A gente escreve o resto sem muita pressa, com muita precisão. Nos interessa o que não foi impresso e continua sendo escrito à mão Não interessa o que o bom senso diz Não interessa o que diz o rei Se no jogo não há juiz, não há jogada fora da lei Não interessa o que diz o ditado Não interessa o que o Estado diz Nós falamos outra língua, moramos em outro país.

Sunday, July 30, 2006

"Sem medo de ser feliz"

Eu costumava ouvir muito essa frase "Sem medo de ser feliz" em música, em frases, pessoas dizendo, enfim... Eu achava um tanto ridícula. Eu pensava: "Por que sem medo de ser feliz? Ninguém tem medo de ser feliz, todo mundo QUER ser feliz! Esse é o sonho de todo mundo, mas alguns são e outros não".
Às vezes eu achava que a felicidade dura uma vida inteira, então eu não me considerava feliz. Noutra vez, eu achava que a felicidade são só momentos, e então eu era feliz. Quando eu não era feliz, eu achava que simplesmente a felicidade não me aconteceu e não porque eu tinha medo de ser feliz!
Agora eu vejo um pouco diferente. Acho que existe sim o medo de ser feliz, porque eu percebo que eu não me sentia merecedora de alguma felicidade (e ainda não me sinto completamente). Eu achava, sem saber que achava, que eu não era o tipo de pessoa certa que poderia ser feliz. Acho que muita gente sente assim, porque é egoísta, porque simplesmente tem medo de que, logo após o tempo bom, venham as trovoadas. E é mesmo assim, nada permanece constante por muito tempo. Não existe alguém totalmente feliz, há sempre alguma coisa faltando. Assim como não há alguém completamente triste, sem nada de bom para viver (mas quando eu estava triste, eu achava que era injustiça eu ficar assim enquanto todos estão felizes. Vai entender?!)
O ser humano nunca aprende, pode cometer o mesmo erro várias vezes, porque o tempo o faz esquecer o peso das conseqüências. Mas ele vai pegando um ensinamento aqui e ali e aos poucos vai mudando. É um processo lento, assim como a evolução das espécies. Então eu estou tentando sentir todos os sentimentos bem profundamente, para depois me livrar deles sem dor, sem lentidão. Estou tentando aceitar que eu tinha medo de ser feliz, não deixando alguém me amar. Também achava que não existe isso de deixar alguém nos amar. É óbvio que alguém pode nos amar sem a nossa permissão. Só que isso faz sentido, se a gente realmente não aceita o amor do outro, como vamos amar alguém completamente?
Eu sou uma pessoa como qualquer outra, eu peco e faço coisas boas também, então mereço ser feliz. Todo mundo merece ser feliz. Sempre tem alguém para nos amar. Sempre tem alguém para a gente amar. Basta aceitar isso e fazer ter sentido a velha frase: viver sem medo de ser feliz.
"EVERY MAN HAS A WOMAN WHO LOVES HIM.
EVERY WOMAN HASA MAN WHO LOVES HER."

Sunday, July 16, 2006

Somos uma corrente

"Cada vez que um homem protesta contra a injustiça, transmite uma minúscula onda de esperança e, cruzando-se com outras ondas vindas de um milhão de centros de energia e ousadia, essas ondas formam uma corrente que pode derrubar as mais poderosas muralhas da opressão e da resistência." (Robert Kennedy)
Quando escuto ou leio coisas assim, sinto que nem tudo está perdido. Às vezes me bate um otimismo, assim como às vezes me bate um pessimismo, que eu acho que as revoltas são o começo de tudo. Sempre que ouço sobre as revoltas acontecendo, como as da França, em Paris, fico feliz, porque mostra que as pessoas ainda não deixaram morrer o espírito de mudança, a tal minúscula onda que Robert Kennedy falou. Lembro que eu não sou uma onda, sou parte do oceano. Somos todos partes do oceano, por isso que se cada um fizer sua parte, estaremos de alguma forma mudando o mundo. É com o aquela historinha que Morrie Albert contou no filme "A última grande lição". Aquela historinha de uma onda que estava perdida no oceano enquanto via as outras baterem e morrerem, logo outra viria e perguntaria por quê ela estava triste. Ela disse: "Não quero ser uma onda. Por que vou continuar, se logo irei bater e morrer, como as outras?" A onda grande lhe respondeu: "Você não é uma onda. VOCÊ FAZ PARTE DO OCEANO." Simples assim.
Um absurdo que hoje as pessoas estão se vendendo, vendendo suas idéias, suas crenças, o que é muito mais perigoso. Vender suas idéias é o cúmulo do absurdo. Antes, ter um emprego estabelecido era o que de mais careta poderia ser para um jovem. Oh, quando é que vamos acordar?
Engraçado, quando penso que tudo está morto, vem alguém como Mark Kurlansky escrever "1968 - O ano que abalou o mundo". Mesmo com os obstáculos diante daquelas pessoas, elas se modificavam e faziam com que as estruturas se modificassem. Isso porque acreditavam. Precisamos acreditar nisso. "Não fique aí parado, você é explorado." Pena que disseram que o mundo não vai explodir de novo com essas revoltas, juntando todo o tipo de gente e reivindicações. Não podemos pensar assim. Afinal, fazemos parte do oceano, não fazemos?
Também sinto uma alienação da ordem estabelecida e um profundo desagrado do autoritarismo, apesar de não ser uma revolucionária exemplar. Mas tenho a necessidade de transformar o mundo, levantar a grande utopia de 68.

Saturday, July 01, 2006

Eu estou de preto

Todos vão me xingar, mas nesta copa eu vou ser aquela chata que torce contra o Brasil. Não é pé frio, não, eu já fui otimista. É para que o Brasil perca mesmo.
Eu ando pelas ruas e só vejo duas cores: verde e amarelo. Todos os carros têm bandeira colada. Todas as pessoas vestem camisa verde-amarela (já é como se fosse uma cor só). Todas as lojas estão "enfeitadas". Todo o marketing aproveita a oportunidade. Todo o Brasil pára para ver esses jogos. Por que não parava quando eu queria? Por que ninguém se uniu quando devia se unir? POR QUE TODOS RESOLVERAM SER BRASILEIROS AGORA???
Por que não resolvemos ser brasileiros quando as denúncias de corrupção começaram? Deveríamos ter ido lá, com "a cor" verde-amarelo na cara e na roupa e feito um escândalo. Mostraríamos que estamos acordados, que não somos idiotas o bastante para sermos bobos e deixar tudo como está. O poder é nosso, somos o maior número.
Por que não resolvemos ser brasileiros quando querem roubar a nossa mata, destruir a nossa natureza, civilizar os nossos índios? Ok, a natureza é de todos, então os EUA ou sei lá quem não poderia "roubar" isso de ninguém e nem se fazerem de donos.
Será possível que todos pretendem continuar vendendo a imagem de que o Brasil é "aquele país bom de futebol (o país do futebol), que tem aquela reserva florestal (o pulmão do mundo)"?! Como dizia o meu avô, fica bobo aí, macaco te lambe... Enquanto a gente se diverte comemorando os gols e vitórias, estão planejando roubar a nossa mata! Estão contando com a nossa idiotice! Fingem ser nossos amigos e que estão admirados com o nosso "desenvolvimento", mas é mais um plano para nos atacar pelas costas! Quem é que gosta de ser feito de bobo? Nós estamos sendo feitos! É a nossa cara que estamos dando a tapa!
Será possível que todos se esqueceream que naquela copa de 98 o Brasil foi comprado para perder da França? Lá estava o país do futebol se fazendo de idiota, vendendo o que tem de melhor, e todos se esqueceram... Eu não me esqueci! Já fui uma boba, já pintei minha cara de verde-amarelo, já reclamei daquele chato que ficava no meio do jogo torcendo contra, já quis muito que os 4 anos se passassem logo para a próxima copa e todo o país se vestisse novamente de verde-amarelo...
O país está todo verde-amarelo. Eu estou de preto.
(enquanto todos se preparam para assistir o jogo deste sábado, eu escrevo solitariamente este texto).