Revoltas Diárias

Não importa se só tocam o primeiro acorde da canção A gente escreve o resto sem muita pressa, com muita precisão. Nos interessa o que não foi impresso e continua sendo escrito à mão Não interessa o que o bom senso diz Não interessa o que diz o rei Se no jogo não há juiz, não há jogada fora da lei Não interessa o que diz o ditado Não interessa o que o Estado diz Nós falamos outra língua, moramos em outro país.

Saturday, March 25, 2006

Faça a REVOLUÇÃO!

Ontem, ao ler o jornal, me bateu um medo e esperança ao mesmo tempo. Todos sabem que estão acontecendo manifestos na França, então quando eu vi aquela notícia de arrastão em Paris, eu parei e pensei: "Meu Deus, será que está voltando?"
Foi em Paris que começou a revolta estudantil na década de 60, e todo o mundo resolveu protestar também. Agora, no novo milênio, começa de novo as revoltas em Paris. Eu não sou de acreditar em previsões, mas me bateu esse medo. Medo por ser uma coisa mais violenta que antes, esperança por talvez poder ver o que eu não vi, participar desse movimento contra alguma coisa. Talvez seja mesmo verdade, isso tudo estava para acontecer, porque não podia ter morrido assim. Talvez o proletariado seguiu seu curso natural, que é ser revolucionário. Se somos uma classe revolucionária, vamos desbancar a burguesia!
Eu sou a favor de tudo isso, se a greve é nossa arma, vamos fazer greve. Se o manifesto é um jeito de a cidade parar e olhar para nós, vamos manifestar. Já era hora de deixarmos de ser passivos, pois essa passividade do novo milênio está me deixando louca. Parece que adormecemos, deixamos "ELES" tomarem conta. Mas agora estamos acordando, pouco a pouco, e não demora a revolução chega ao Brasil, pois se o único jeito de mudarmos a situação é através da revolução, que venha a revolução!
Só há uma diferença: todo esse sono que tivemos durante décadas nos tornou agressivos, violentos, e isso talvez não seja um bom caminho. Os manifestantes de Paris de 24 de março de 2006 usaram da violância e isso não é um modo de buscar a paz. Temos que estar juntos, numa força só, para chegarmos lá. Façamos a revolução, mas façamos em Paz.

Sunday, March 19, 2006

ESSE NEGÓCIO DE ALMA GÊMEA

Há muitas coisas nas quais eu acredito hora sim, hora não. Por exemplo, nesta história de alma gêmea. Pensando aqui comigo e minha solidão, eu não acredito. Mas quando penso na história do John e a Yoko, sempre acredito. Ela com aquele olhar misterioso, olhar de quem não tinha culpa de nada, mas no fundo ia influenciando tudo e todos... Olhar de quem não sabe a quê veio, mas que na verdade tem a missão de capturar o John e começar uma nova vida com ele, meio louca, mas à sua maneira. e eu fiquei realmente curiosa em ler que tudo que ele fazia antes era esperar por ela, sem saber, aquela mulher que se idealizava em sua mente, sua alma gêmea. Então, depois de ele ter vivido tudo aquilo com os Beatles, ela apareceu, na hora certa, no tempo certo, dando rumo totalmente diverso à vida dele, mas tudo programado. Programado por quem? Pelo destino? Por Deus?
Bom, se as almas gêmeas existem, o destino também existe. Mas como é que algumas pessoas conseguem simplesmente lutar por aquilo que querem? Por que outras não? Como saber se o que quero é o que está escrito? E também, como é que se escolhe a hora certa de as almas gêmeas se encontrarem? Por que tal hora é a hora certa? Por que para alguns é cedo, para outros demora? Sei não, acho que só algumas pessoas têm essa sorte. Eu pensava que algum dia, talvez na morte, todos esses mistérios que nos perguntamos aqui na Terra fossem revelados, mas aí vêm me dizer que nossa alma, mesmo depois da morte, ainda tem muito o que fazer, descobrir, ficar perambulando. Ora, qual é o sentido da vida ou da morte? Se tudo é uma seqüência, pra que vamos morrer? Ou pra que vamos viver? Para errar tudo de novo, e ficar procurando perfeição sempre? Ninguém conseguiu acertar ainda, ninguém alcançou a perfeição. Por que é que nos cobram tanto fazer as coisas boas, se algumas pessoas nascem boas e outras más? Não adianta culpá-la pela outra vida, porque o caráter é uma coisa inata - é bom ou mau.
Pensando na minha alma gêmea é que fico cabisbaixa, me incluo junto às "pessoas solitárias" que não sabemos "de onde vieram, a que lugar elas pertencem". Sabe a Eleanor Rigby dos Beatles? Pois é, assim que me sinto (não tão só sempre, mas quando estou sozinha literalmente). Por que algumas pessoas têm sorte e outras não? Ninguém tem culpa de ser só. Tem gente que simplesmente não faz nada e tem sorte na vida. Outros também não fazem nada e têm azar.
Mas é talvez tudo precipitação minha; talvez minha alma gêmea exista, talvez até leia isto, talvez também se sinta só e escreva... A gente sempre imagina que nossa alma gêmea venha até nós, mas talvez nós é que vamos até ela. E se não houver todo esse mistério espiritual na vida do ser humano, que sentido teríamos em viver? Talvez seria melhor então viver como animais, na luta apenas pela sobrevivência: nascer, crescer, reproduzir e morrer...

Saturday, March 11, 2006

Os Beatles e eu

Outro dia vi o filme "Help!", aí depois, como sempre, contagiada por aqueles 4 caras comuns e incríveis, fiquei pensando nos Beatles. Nos Beatles "Beatles". Lembrei de como tudo aconteceu pra mim, desde o começo, de um jeito que não machucava (porque sempre machuca saber que eu não estava lá).
Primeiro, aquelas fitas do meu pai, misturando músicas da 1 ª fase com as da 2ª, músicas doces, inocentes, completamente boas; e músicas do John Lennon, belas, outras loucas, mas que ele ouvia sempre. Depois, quando eu já era adolescente, já fazia parte daquele gosto musical, já sabia que me agradavam aquelas músicas. Então sempre que via algo dos Beatles, queria comprar pro pai. N Loja Americana, vi o "Past Masters I" e não tinha dinheiro, aí lamentava. Procurava nomes de músicas que eu soubesse, tipo "All my loving", "Hey Jude", "Woman", "Imagine", músicas que eu tocava no violão, então eu sabia o nome. O que eu não sabia é que eu conhecia aquelas músicas, mas só não sabia o nome, e também, me confundia Beatles e John Lennon - era tudo a mesma coisa ou coisas separadas? Hoje eu sei que são coisas separadas, mas que os Beatles sem o John Lennon não são os Beatles, assim como não são sem o Paul McCartney, o George Harrison, o Ringo Starr. Todos esses nomes combinavam.
Eu não sabia todos esses nomes, talvez só John Lennon, que meu pai ouvia (ou sabia? Isso que é ruim do passado, algumas coisas se perdem) ou Paul McCartney. Na verdade, eu sabia, sim. De alguma forma, eu sabia. Todos que têm pais que viveram nos anos 60 sabiam que existiam uns 4 rapazes ingleses de terninho e cabelo igual cantando músicas gostosinhas até hoje no rádio dos outros. Então, eu sabia.
Na 7ª série, um professor de inglês que eu gostava muito e que me fez gostar da língua, trouxe uma música pra gente cantar. Era "Ebony and Ivory", e eu gostei tanto que traduzi a letra, e vivia cantando, até meu pai arranjar uma fita do Paul McCartney - "All the best"- com a música (antigamente eram sempre fitas).
Mais tarde, eu encontrei pra vender na Loja Americana um pôster dos Beatles, e como seria aniversário do meu papi, queria dar de todo jeito. Morri de medo de voltar lá e não achar mais. Convenci minha mãe e fomos. Haviam dois: um era a capa de "With the Beatles", outro era a coleção de todos os discos. Fiquei na maior dúvida, então, apesar de o 1º ter os rostos grandes dos quatro, optei pelo 2º, que tinha todos os discos, e meu pai não conhecia. Acho que minha mãe achou pouco, aí além de emoldurar o pôster, comprou no shopping uma fita de vídeo. Meu pai adorou, e eu não sabia o quanto essa fita me afetaria mais tarde. Eu não a vi, sei lá, meus interesses eram outros, até um dia eu e minha irmã pedirmos para ele para nos deixar ir num baile. meu pai disse: "Só se virem a fita dos Beatles". Topamos na hora, claro, que preço barato! Assistimos até tarde e, de alguma forma, eu me apaixonei por aquela fita, pois passei a vê-la mesmo sem meu pai. O pessoal aqui de casa dizia que eu era louca de ficar vendo aquilo em preto-e-branco. Mas eu gostava, e até chamava os outros que nos visitavam para ver. Eu achava que eles iriam gostar tanto quanto eu, mas sempre diziam: "Você é doida".
Meu pai se mudou, levou embora as fitas, e o que me restou foi este vídeo e o pôster. Sempre que eu aprendia uma música nova no violão, queria mostrar pro meu pai. Lembro que em 2001 eu e meu irmão achamos um compacto dos Beatles em casa. Tinha "I want to hold your hand", "She loves you", "Love me do" e This boy". Achava "This boy" engraçadinha, e "I wat to hold your hand" ótima de dançar. Meu irmão já gostava de "She loves you". Quando foi em 2002... a grande filia começou. Eu fui na minha vó e achei discos deles lá, e marquei umas pra gravar numa fita. Nem acreditei que relembraria aquelas músicas de novo... Mas a fita não funcionou. Encontrei minha prima e por acaso soube que os discos eram do pai dela, e que tinha também em cds. Não perdia oportunidade de gravar, e fiz uma cópia da fita pro meu pai. Essaa fita passou a ser meu álibi, para todos os momentos. Minha irmã dizia: "É presente do dia dos pais?" Eu dizia que sim, mas já era pra mim mesma, eu e minha saudade. Minha prima perguntou qual deles eu achava mais bonito, e eu fiquei em dúvida entre o Paul e o John, mas no fundo eu já sabia, o John me chamava atenção (será que é porque meu pai gostava dele?). Até que minha irmã descobriu, de alguma forma, sem eu contar, enquanto eu ouvia um programa dos Beatles na rádio. Este programa me ajudou a conhecê-los mais e cheguei a pegar emprestados os cds e copiar, além de fazer a programação, que era minha satisfação.
Agora eu conheço todas as músicas, sei da história deles, e pensava que era só um jeito de trazer meu pai de volta para casa, de sentir a falta dele. Só que agora os Beatles são só coisa minha, coisa que as pessoas ainda chamam de louca, mas eu gosto de sentir assim. E mesmo conhecendo toda a trajetória deles, as partes boas e ruins, sempre me vêm à cabeça aquela imagem deles de terninho, em preto-e-branco, cabelo cortadinho, cantando nem palco de menos de um metro, agitrando aquelas pessoas num programa de tv, ou simplesmente aquelas vozes bem combinadas ao som de guitarras de um grupo que de algum jeito conquistou o mundo, numa das fitas do meu pai.

Saturday, March 04, 2006

A gente era feliz e não sabia

Como pode, de repente, as coisas não fazerem nenhum sentido? Eu trocaria tudo que eu tenho, que eu consegui hoje, para voltar ao passado. Para voltar a qualquer tempo atrás.
Olho tudo ao meu redor e nada significa pra mim. Que chato crescer, a gente começa a perceber as coisas. Mas dinheiro agora, mais condições, mais talento, inteligência, distinção... Mas nada vale, pois é lá no meu passadinho que eu fui feliz. Sem saber de nada, sem perceber que era pobre mesmo, mas isso não importava. As roupas eram cafonas, a casa era mais bagunçada do que é agora, mas era a minha casa, com todas as coisinhas que ela tinha - gesso na parede, armário velho, sofá rasgando... Que importância tem isso, se hoje eu queria estar lá, naquele tempo, com aquelas coisas, exatamente como elas eram? Até do chinelo que eu usava eu sinto falta.
Eu sei que fotos são só momentos, mas vistas assim, anos depois, parecem lembranças felizes. Apesar de tudo, de que todos mudam ou crescem, éramos os mesmos. O mesmo tipo de pessoa que somos hoje, cada um com seu jeito, com sua essência.
E a juventude, o que dizer dela? O que o tempo não faz com os outros, hein? Engorda, cresce o cabelo, enruga a pele... É tão bonito o sorriso de quem é jovem, de quem é feliz. Não adianta vir com papo de que só se envelhece por fora, e estas coisas de pensamentos ou de livros de auto-ajuda. Porque ficar velho é muito diferente. Já não temos aquela inocência, aquela ingenuidade de que o mundo é bom, de que a felicidade existe, de que as pessoas são boas. Já vivemos tantas coisas, temos tantas experiências, por que vamos ter aquele brilho no olhar? O brilho no olhar é de esperança, e uma criança é repleta de esperança. É tudo que ela tem. Olhe para um velho e uma criança. O velho ensina, a criança aprende. E o bom da vida é quando a gente aprende, é quando não sabemos de nada. É claro que amadurecer tem suas vantagens, partes boas, como se apaixonar, conhecer e saber de muitas coisas ("Mas ei, mãe, por mais que a gente cresça, há sempre coisas que a gente não pode entender"), mas todos queriam voltar a ser criança. pergunte para quem quiser. É o sonho do mundo.